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Chove. Eu aqui, sentado num banco de metal, espero o trem abrir as portas. Eu nem sequer estou de pé ou largando a caneta. Logo passa mais um trem. O que é isso? Vai ficar aí e esperar tudo passar? Levanto e corro porta a dentro. Chove e eu olho para a janela. Me imagino sozinho na praia, ouvindo "Vento no litoral", perdido na areia esperando as ondas baterem nas minhas pernas e o vento levando tudo embora. Chove. Estou sentado no chão e vejo tudo em movimento. Só vejo o céu, nuvens cinza-brilhantes e pontas de prédios e árvores. Esse lugar não é para mim. Essa é toda a coragem que eu tenho. E a resignação que eu não quero. E me pergunto: quem você vai ser nas próximas vinte e quatro horas? E me pergunto se aquela grande estupidez está tentando voltar à tona. Largo a caneta. |
| haradia May 20, 2005 09:58 AM PDT adoro ouvir Vento no Litoral. me faz ir bem além de toda a imensidão do céu e do mar. lá do alto do morro do farol. (ficou horrível esse texto rimado) | ||
| xera May 12, 2005 08:49 AM PDT como tu mesmo diz, dias de chuva nos tornam mais introspectivos. estou com medo de me tornar vítima do meu próprio medo. não é coragem o que falta. existe um outro dentro da gente que quer que tudo continue assim. porque assim está uma merda. e isso nos satisfaz!? | ||
| Lu May 11, 2005 07:59 PM PDT e se teu texto me fez chorar? te conhecer um pouco mais a cada dia me faz ter medo. medo de quem eu sou de verdade. medo das coisas que almejo. medo dos amigos que tenho. muito medo. e felicidade, por ver que no mundo ainda existem pessoas capaz de salva-lo. | ||
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